7 empresas que passaram longe da crise em 2015

Um bom caminho para acertar nas decisões de sua empresa e fugir de qualquer crise é conhecer cases sucesso. Por isso, a Revista Exame selecionou as empresas que revisaram seus orçamentos, cortaram custos e avaliaram suas estratégias para enfrentar o ano de 2015. Com essas e outras medidas, algumas companhias tiveram ótimos resultados, ampliando sua atuação no mercado e, consequentemente, seus lucros.

Bancos, como o Itaú, buscaram linhas de crédito mais seguras e aumentaram tarifas. Outras empresas, como a Estácio, BRF e a Totvs, aproveitaram a crise para adquirir concorrentes.

A Braskem e a Marfrig, por exemplo, viram a desvalorização do real como oportunidade para exportar e se expandir fora do Brasil.

Confira agora 7 empresas que passaram longe da crise em 2015.

Kroton

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No 3º trimestre, a Kroton Educacional reportou lucro líquido de 312,7 milhões de reais, crescimento de 46,9% ante o mesmo período de 2014. Já no acumulado do ano até setembro, o lucro líquido alcançou R$ 1,1 bilhão, aumento de 45,5%.

No trimestre, a empresa finalizou a venda da Uniasselvi, por até 1,1 bilhão de reais. A venda era condição de sua fusão com a Anhanguera. Este ano, ela também adquiriu a Studiare, start-up de tecnologia voltada à educação.

Mesmo com a diminuição da oferta do FIES, 176,3 mil novos alunos passaram a fazer parte da instituição, alta de 4% em relação ao ano passado. Agora, são mais de 1,1 milhão de alunos no ensino superior. Ela afirmou que tem 44 pedidos de abertura de unidades em análise e que aguarda a aprovação de 500 novos cursos presenciais e 448 novos polos de EAD.

Estácio

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Com aquisições e ampliação de cursos à distância, a empresa de educação Estácio obteve lucro líquido de 157 milhões de reais no 3º trimestre, alta de 18%. Até setembro, o lucro líquido foi de 19,6 milhões, aumento de 21,7%.

O aumento de 14,8% na base de alunos de graduação, tanto presencial quanto à distância impulsionou os resultados. Em novembro, ela recebeu a aprovação para abrir mais 61 polos de ensino à distância, que passam a ser 231.

Duas aquisições também marcaram o ano da empresa. Em julho, fechou a compra da Faculdade Nossa Cidade, em Carapicuíba, por 90 milhões de reais. Já em novembro, comprou faculdades Integradas de Castanhal, no Pará, por 26 milhões de reais.

Para o próximo ano, a empresa almeja buscar e reter ainda mais alunos e controlar custos, despesas e investimentos para compensar eventuais perdas.

Smiles

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Em anos mais turbulentos, empresas ligadas a viagens ou consumo, como o caso da Smiles, podem ter dificuldades. No entanto, a empresa de fidelidade viu seus números cresceram em 2015. No 3º trimestre, o lucro foi de 98,6 milhões de reais, alta de 65,3% em relação ao ano passado. No período, a receita líquida da empresa controlada pela Gol cresceu 55,9% e o acúmulo de milhas subiu 15,6%.

Parcerias com empresas aéreas e a possibilidade de trocar pontos por produtos ajudaram os consumidores a acumular e a gastar mais milhas, mitigando o efeito da crise. Outro motivo para o crescimento da empresa de fidelidade da Gol é que cada vez mais brasileiros estão abrindo contas no banco e trocando o dinheiro vivo por plástico, diz a empresa.

No entanto, ela acredita que a redução no consumo e o efeito cambial irão atingi-la em 2016, tornando o ano muito mais desafiador.

BRF

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Com a situação econômica instável no Brasil, a BRF está olhando para o mercado externo. Na Ásia, ela firmou uma parceria com a Singapore Food Industries, para trocas de produtos e serviços, e planeja expandir sua fábrica nos Emirados Árabes Unidos.

No início deste mês, a empresa adquiriu três companhias por uma soma total de 500 milhões de dólares. As companhias, que estão na Tailândia, Argentina e Reino Unido, adicionarão 600 milhões de dólares ao faturamento da BRF em 2016 e dobrarão sua capacidade de produção no exterior, que será de 8% do total.

Já por aqui, sua estratégia é manter os preços para competir de forma mais agressiva, deixando para 2016 o reajuste por conta da inflação e desvalorização do real. No 3º trimestre, ela apresentou lucro líquido recorde, de 887 milhões de reais, crescimento de 53,3% ante o registrado no mesmo período do ano passado.

Braskem

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A Braskem é outra empresa que está buscando ampliar sua atuação no mercado externo, por conta da crise por aqui. Ela está investindo  5,2 bilhões de dólares em um Complexo Petroquímico no México, em parceria com a Idesa (foto).

Quando as obras forem concluídas – já estão 98% prontas – mais de metade das receitas da empresa química virá do mercado externo. Segundo a companhia, ela concorre diretamente com grupos estrangeiros, e por isso o câmbio atual torna a sua produção mais competitiva em relação ao item importado.

A estratégia de olhar para fora já mostrou resultados em seu balanço. A petroquímica teve lucro líquido consolidado de 1,482 bilhão de reais no 3º trimestre, ante 230 milhões de reais no mesmo período do ano passado. O aumento foi impulsionado pela desvalorização do real ante o dólar e maiores volumes de vendas.

TOTVS

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“Não vou participar desta crise”, disse o presidente da TOTVS, Rodrigo Kede Lima, afirmou, em entrevista à Exame em outubro deste ano. Para ele, é preciso estar otimista para sair na frente
quando o período ruim acabar. Conhecida por crescer com aquisições, ela comprou a sua concorrente Bematech em agosto.

Ainda assim, ninguém passa ileso pela crise na economia e a Totvs está mais cautelosa nos investimentos e viu uma desaceleração no crescimento nos últimos trimestres, disse Lima.
No 3º trimestre, ela alcançou lucro líquido de 71,7 milhões de reais, valor 5,3% maior do que o mesmo período do ano passado. Uma das razões para seu crescimento é que ela continua investindo 14%
da receita líquida em inovação. O esforço tem valido a pena. A companhia, que detém metade do mercado brasileiro de softwares de gestão, desenvolveu um novo modelo de negócios, de assinatura
mensal pelos programas.

Itaú

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O Itaú teve o maior lucro entre as empresas abertas no 3º trimestre de 2015, de 5,94 bilhões de reais. O valor é 10% superior ao do ano passado. Nos nove primeiros meses de 2015, o lucro líquido foi de 17,66 bilhões de reais, aumento de 19,97%.

Entre as razões para o lucro do maior banco privado do país está a margem financeira com o mercado, que teve um avanço de 45,7% na comparação anual, e a margem financeira com os clientes, que aumentou 4,4%. A margem com o mercado foi influenciada por negociações em bolsa de derivativos, que são contratos pré-fixados em dólar.

Com os clientes, o banco aumentou a diferença entre os juros cobrados por empréstimos e os custos para captar recursos. O banco, assim como a concorrência também está buscando ter uma carteira de crédito mais segura e conservadora.